Pu-dor

Posted in Poesias on Julho 12, 2009 by Anahy Shiguemoto

Eis que a bicicleta me chama

Chama calada.

Não me olha, não tem olhos

Mas meus olhos não me enganam.

E nem a chuva

O frio

Pneus murchos

Qual incômodo?

A perna enrijece

Aliviando o coração.

As pedras sem pudor

(Diferente de mim)

Arregaçam!

Gemem!

Gritam!

Minha boca nada diz.

Vem um sorriso de lado

pequeno e tímido.

E a bicicleta me sussurra:

“Vai pra casa, deita, dorme

As coisas se ajeitam…

Sempre se ajeitam.”