Eis que a bicicleta me chama
Chama calada.
Não me olha, não tem olhos
Mas meus olhos não me enganam.
E nem a chuva
O frio
Pneus murchos
Qual incômodo?
A perna enrijece
Aliviando o coração.
As pedras sem pudor
(Diferente de mim)
Arregaçam!
Gemem!
Gritam!
Minha boca nada diz.
Vem um sorriso de lado
pequeno e tímido.
E a bicicleta me sussurra:
“Vai pra casa, deita, dorme
As coisas se ajeitam…
Sempre se ajeitam.”